És como uma brisa...Suave. É engraçado como a vida dá voltas tão rápidas e tão inesperadas.
Se calhar o mundo ouviu. Não sei dizer. Sei que encontro naquele olhar um ninho,um sítio onde me abrigar. Não sei explicar. A vida tem maneiras engraçadas de nos surpreender. Eu estou,sem dúvida,surpreendida. E aconteceu tudo tão depressa...
Cansei-me de ouvir que não vale a pena procurar o amor,que ele aparece quando a gente menos espera,não vale a pena forçar. Eu achava que não estava a forçar nada. Estava apenas a forçar-me a mim mesma a andar na companhia de pessoas que não me diziam nada. Ouvir as conversas sem interesse algum,fazer de conta que me interessava,sorrir,sorrir e sorrir muito. Os homens acham que as mulheres são parvas,esquecem-se que nós fingimos tanto ou mais que eles. E para fazer disto uma coisa ainda melhor,viram as costas,fazem de conta que nunca saímos juntos e quando vêem que não se lhes vai dizer nada,voltam. Com aquelas mensagens da treta,a desculparem-se com o trabalho,com o tempo,com a falta de iniciativa da nossa parte. Eu vejo assim,se eu não disse nada foi porque também não tive muito interesse. Mas acham-se o máximo! E pior que se acharem o máximo,é acharem-se o máximo e não prestarem para nada...Ah,ah,ah! Já conheci uma dúzia assim,habituados a que andem atrás deles,a convidá-los para saír,a meterem as mãos onde quer que as deixem meter as mãos...Já longe vão os tempos em que ficávamos à espera que tomassem a iniciativa.
E estava a dizer,que foi num destes momentos que o amor me encontrou. Ou melhor,eu meti-me com ele. Mas não estava à espera que viesse dar aqui.
Agora estou aqui sentada,à espera que me telefone,a contar como é que lhe correu o dia e ouvi-lo dizer que tem saudades minhas e que me adora. E nem percebo porque é que ele é diferente. Normalmente quando os via a seguir a saír com eles,sentia-me sempre mal e nem era muito simpática com eles. A este,quando o vi no fim do dia seguinte,toda eu era sorrisos e estava verdadeiramente feliz. Adoro o carinho que me dá. Adoro as coisas parvas que me diz. Adoro o abraço forte e terno. Adoro a preocupação que tem em explicar-me porque não pode estar comigo,como se tivesse de se desculpar por ter uma vida da qual eu não faço parte. E nem quero fazer assim tão cedo.É tão bom ir assim devagarinho,sem planos para o futuro e porque haveremos de fazer planos? Afinal,nem nós sabemos o que a vida nos reserva para hoje,quanto mais para amanhã...
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